domingo, 21 de setembro de 2014

Uma nova etapa: a preparação e volta ao trabalho.

Quando descobri que estava grávida e delineei os aspectos práticos, nunca equacionei tirar menos de 5 meses de licença de maternidade. 
Há pessoas que não têm essa opção, mas atendendo a que iria alguém substituir-me no trabalho, não senti que isso iria prejudicar os colegas. Mais um mês, menos um mês seria quase irrelevante a nível organizacional (desde que as coisas se mantivessem como as deixei), mas para mim, a nível pessoal, fazia toda a diferença. Queria acompanhar em exclusivo, o máximo que me fosse possível. Ainda assim, pedi mais uma semana de férias após a licença. Já não dava para esticar mais depois de 22 de Setembro.

Confesso que o timing da gravidez foi perfeito : não passei o Verão grávida (=inchaço e mal estar na certa!) e só iria trabalhar depois do "ano lectivo" começar.

Assegurar os cuidados para o Diego enquanto eu estarei a trabalhar, não foi uma opção muito difícil de tomar.
Os avós ficaram logo fora de cogitação por impossibilidade. Em abono da minha verdade, esta não seria a melhor opção nem para o Diego, nem para a família. Por mais amor que lhe pudessem dar, isso não compensaria os conflitos educacionais que aí viriam. Não obstante, se a tempo inteiro acho que não seria positivo, sei que posso contar com os meus pais a tempo "parcial", e acho que isso fará bem a todos. A minha mãe ainda trabalha, mas como tem um horário mais reduzido que o meu, quando não conseguir ir busca-lo a horas decentes, posso contar com ela e com o meu pai para isso.
Os avós paternos já têm muita limitação de idade - com 76 e 79 anos - e a saúde infelizmente já não é muita.
  
Mas voltando às opções: depois de saber que "avós não", estive indecisa entre "ama" (não exclusiva) e a creche. A nível de preço, seria equiparado, por isso, esse factor não era decisivo.
Rapidamente concluí que a creche tem mais a ver comigo a nível de estrutura e organização. A grande desvantagem será mesmo a questão das "doenças". Se ele estiver com febre ou doente, já não é permitida a presença no estabelecimento, enquanto que na ama eu sei que o poderia deixar lá assim. Estou aqui a a fazer figas para que as doenças lhe passem na sua maioria, ao lado, já que nessas alturas terei de abusar dos meus pais e familiares.
Opção tomada e uns dias antes de ir para a maternidade fui fazer uma pré inscrição, mas sem nunca me garantirem que havia vaga. Só em Julho obtive a decisão final e ficou tudo organizado para termos uma entrevista no princípio de Setembro. 
Como recomeçaria a trabalhar a 22, teria pelo menos uns 18 dias de adaptação antes de começarmos com os ritmos loucos.

Sempre encarei a "escolinha"(porque se leva mochila é uma escola! :)) de uma forma natural e apesar de achar que me "ia custar" um bocadinho, nunca pensei que me viessem as lágrimas aos olhos quando visse o nome dele no placard da creche, ou que nessa noite me desse uma crise de choro seguida de uma insonia. Só me perguntava a mim própria porque é que estava assim, e resposta mais/menos lógica é: porque "sou mãe" e até o amor incondicional tem uma parte irracional.

Levámos o Diego para a entrevista e ele conheceu logo as educadoras. Fiquei contente quando descobri que a "ama/educadora/auxiliar/responsável"(?) do Diego é a mãe de uma amiga de infância (meios pequenos são assim!). Deu-me logo mais confiança e fiquei com a certeza de que iria ser bem tratado, acarinhado e amado. Além disso, o meu "patetinha" ri-se para toda a gente. Basta que sejam simpáticos e carinhosos, que ele retribui.

Então, se eu sabia que ele ia ficar bem e feliz, porque é que estava assim??? Egoísmo. Um abalo na minha confiança. O MEU menino vai passar grande parte do tempo com outras pessoas e obviamente que ele vai aprender a gostar dos outros. Ele vai deixar de ser só meu e acho que no fundo, era isso que me doía. E depois vêm aquelas dúvidas...e se ele deixa de gostar de mim (ahhhaa xô pra lá com ideias parvas!!), e se ele me vai ver ao final do dia e faz birra porque não quer vir comigo? É caso de me perguntar: Lulu, mas quem é a criança aqui? Tu ou o teu filho? Além disso, há sempre aquela dor interior de saber por antecipação que se vão perder "momentos importantes" dos filhos...

Relativamente á adaptação: há uma boa abertura da creche em relação aos primeiros tempos dos bebés. Na medida do que a organização possibilita, há uma grande flexibilidade para que a entrada não seja tão abrupta.

Na primeiro dia ficou lá 1h30, apenas para se ambientar, conhecer o espaço, começar a reconhecer as educadoras...; no segundo dia ficou 2 horas e dormiu uma sestinha mini; no 3º dia, já ficou das 9h45 às 15h30 - dormiu, comeu a sopa, brincou, dormiu, comeu, brincou, dormiu. 
No fds fizemos a nossa vida normal e na 2ªf retomamos a rotina. 

Como eu ainda não tinha horário de entrada no trabalho, a minha grande preocupação era deixa-lo até às 10h. Ele acorda por volta das 7h e fazíamos as coisas com calma e sem correria. Deixava-o entre as 9h00 e as 9h45 e seguia com as minhas tarefas.

Acredito que muita gente pense "mas 3 gatos pingados em casa, como é que há assim tanto para limpar, organizar?". Isso será objecto de outro post, mas devo já dizer que, desde que ele nasceu, as coisas vão sendo limpas. A prioridade não era/é a casa, mas sim o Diego.
No último mês, estivemos os 3 em casa (férias e licença do pai): mais lixo, fazer almoço, fazer jantar, fazer sopa para o Diego, tratar das roupas, lavar biberões, limpar a cozinha... 
Apesar de toda a organização, eu passei em média 2h30 na cozinha, todos os dias. Comecei a ganhar "um pó" aquela divisão...Isto para dizer que, durante 4 meses, o tempo era canalizado para as actividades minimas para garantir o bom funcionamento da casa e o resto do tempo era para estar com o Diego, já que durante o dia, as suas sestas são minis. 
Além disso, desde que esteve adoentado - meio de Agosto - começou a acordar por volta das 4 da manhã para o leite, e depois às 7h. Confesso que isso me afectou como não pensei que o fizesse. Às 4 da madrugada deve ser "aquela hora" em que durmo mesmo a sério. Não me custava levantar definitivamente às 5h45, mas acordar às 4h, voltar a dormir e acordar às 7h deu /dá cabo de mim. Mas tenho de aguentar até o ritmo dele se adaptar a uma nova rotina...ou pelo menos, esperar que não piore. Ah e mesmo que seja o pai a dar o biberão, é a mesma coisa...já que acordo sempre (mãe é mãe..) mesmo que queira descansar. 

Voltando ao tema:...ia levar o Di à creche, depois ia dar algumas voltas para tratar de situações pendentes ou ia logo para casa, mudava de roupa, fazia o que tinha na ideia (roupa, arrumações, limpezas, destralhamento), parava para fazer o almoço (greeehhh), comer, limpar a cozinha, voltar para o estava a fazer e quando olhava para o relógio já eram 16h! Eh lá!!... banho (se estivesse indecente), mudar de roupa, ir buscá-lo antes das 17h. 
Se poderia ter tido o Diego comigo nestas 2 semanas e meia porque é que não o fiz, para aproveitar os últimos cartuchos?
Acredito muito sinceramente, que foi a melhor forma de "preparar" os dias que virão. As coisas que andei a fazer, teriam de ser feitas de uma maneira ou de outra. Se o D. estivesse comigo, acabaria por não lhe dar a devida atenção. Assim, tratei de tudo durante o tempo em que ele estava na escolinha e quando o ia buscar, passávamos "tempo de qualidade": brincávamos, passeávamos, visitávamos a família...fazíamos tudo sem haver qualquer pressão de horários ou a pensar no que ainda tinha de fazer. 
Por outro lado, sem ser ainda tão exigente, ele foi-se adaptando a novas rotinas e pessoas e eu, no primeiro dia de trabalho não vou ficar preocupada se ele ficará bem ou não  - porque também já tive este tempo de adaptação e tenho consciência de que realmente fica bem.

Além do que já estava previsto, ainda tive alguns extras: a nossa casa, com 5 anos, tinha fendas enormes e estava a precisar de retoques antes de terminar a garantia. Durante 15 dias estive sem sala de estar e de jantar, com as coisas todas a monte no corredor e cozinha. Um sonho!!  Num fds veio o estocador, no outro o pedreiro, no outro o pintor! No final, a limpeza daquele pó miudinho, das pintas de cimento e tinta, meter tudo nos sítios...

A outra coisa não programada, foi a morte da minha avó esta semana. No dia em que o Diego fez os 5 meses, ela faleceu. Não me vou alongar no tema, mas devo de dizer que foi um misto de alívio, porque sei que o seu sofrimento terreno acabou, junto com uma saudade enorme que dói. Apesar de já estarmos preparados, nunca estamos preparados!

A partir de amanhã há novos desafios: teremos de sair de casa até às 8h00 e só o posso ir buscar às 17h50. Começará mais cedo, ficará até mais tarde. O stress será muito maior. Provavelmente vamos precisar de bastantes ajustes nas nossas rotinas para a estrutura está montada. Além disso, regressar ao trabalho após quase meio ano, não é a mesma coisa que regressar após uma semana de férias. Confesso que me sinto ansiosa q.b. (para o bem e para o mal).

Wish me/us luck...

18 comentários:

  1. Boa sorte aos dois :) vai custar inicialmente mas depois torna-se normal :) beijinhos

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  2. Antes de mais lamento pela tua avó e compreendo a dualidade de sentimentos. Também passei por isso no ano passado.
    E também compreendo esse teu "egoísmo " em relação ao Diego. Eu passei por isso tudo e chorei muito. A Bia esteve nos meus sogros dos 5 aos 11 meses e eu morria de medo que ela gostasse mais deles do que de mim. Agora asseguro-te que isso é de todo impossível! Só na nossa cabeça de mãe se passam essas ideias absurdas. Garanto-te que se fosse hoje ela tinha ido aos 5 meses para a creche. A minha relação com os meus sogros deteriorou-se na altura e com 1 ano ela chorava baba e ranho todos os dias para ficar na creche. E eu também, claro.
    Acho que a adaptação com 5 meses é muito mais simples.
    Quanto às doenças , posso dizer que tive sorte. A única coisa que ela lá apanhou foi varicela aos 2 anos. E isso é daquelas coisas que mais vale em pequenina, certo.
    Vai correr tudo bem. Boa sorte para essa nova etapa. Beijo

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    1. Obrigada!
      Mães são todas iguais :)
      Também acho que adaptação agora é bem melhor do que quando eles têm mais conhecimento.

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  3. best of luck :))
    E sinto muito pela tua avó :(

    Beijinho que o que custa é o inicio... ahhh e outra coisa, quer-me parecer que tens duas horas a menos no teu horario de trabalho durante um ano, quer estejas a amamentar ou não :)

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    1. Pois...isso das 2 horas de aleitação é muito bonito na teoria, mas nem sempre funciona na prática, porque a realidade é que o trabalho tem de ser feito.
      Negociei 1 hora para sair mais cedo, o que quer dizer que, PELO MENOS vou trabalhar 8 horas por dia :)...mesmo com a redução horária.

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  4. Confesso que fiquei um bocadinho "aliviada" ao ler o teu post, algumas frases parecem tiradas da minha cabeça "e se ele deixar de gostar de mim...", claro que não deixam, mas nós mães temos estas ideias malucas!! Acho que vou fazer o mesmo que tu quando tiver que ir trabalhar e na semana antes vou deixa-lo no infantário no horário "completo"!
    Um beijinho Luciana e bom regresso...

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    1. Mães são todas diferentes...e todas tão iguais :)
      Apesar de só ter enfrentado o primeiro dia de trabalho, acho que a técnica de o deixar antes na creche foi mesmo o mais acertado. Estive mais longe fisicamente, mas psicologicamente, pelo menos, estava mais descansada: eu sabia que ele ficava bem e não havia aquela preocupação extrema do "e se ele não se está a adaptar?", "e se ele não comeu?"....
      Espero que corra bem com vocês (apesar de ainda faltar um tempinho:))

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    1. Filipa, respondi no teu blog, mas deixo o comentário aqui também:


      Obrigada pelo comentário que se transformou num post :)
      Penso como tu sobre o que escreves...De manhã, temos quase 1 hora para meter a brincadeira em dia (e como ele acorda sempre bem disposto...). Entre as 7h e pouco e as 8h, sou dele. Isso implica levantar-me perto das 6h00 para me despachar, arranjar a marmita, deixar o jantar organizado. Mas compensa... ir para o trabalho e levar as gargalhadas dessa manhã gravadas na minha memória é uma benção :)

      Hoje, custou-me chegar à creche e ele ser o penúltimo da sala a ir embora, mas ao mesmo tempo, a "ama" estava a dar-lhe os miminhos todos, por isso, ele não estava desamparado.

      Sim! neste momento, vejo o trabalho como uma coisa necessária, mas sei que tenho de levar as coisas com calma e dar a importância que ela tem. Gosto de ter a rotina de volta e de me sentir "util". O pior mesmo é a carga horária :(

      Beijinhos e mais uma vez...obrigada pelo post :)

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    2. Não agradeças...
      Os mimos das educadoras só para eles é mesmo um mal necessário quando chegamos tarde! Só criam laços entre eles e se os virmos muito bem com as educadoras até nos custa menos virmos embora de manha.
      Quando dizes que ele é bem disposto acho que os nossos meninos são abençoados, ou então que a blogoesfera nos fez bem durante a gravidez, não nos deixou acumular stress's, não é? dizem que o que vivemos durante a gravidez se reflete depois no temperamento dos miudos, será que é verdade?

      Beijocas

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    3. Eu andei toda feliz e contente durante a gravidez. Pode ser que isso tenha mesmo contagiado o piolho :)

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  6. Best of luck! Não é fácil, mas acho que fizeste a melhor opção e assim já se foram adaptando um bocadinho à mudança. Quanto a esse "egoísmo", acho perfeitamente natural! E não sou mãe, mas imagino. :)
    Os meus sentimentos pela tua avó, lembro-me de teres falado nela no nosso encontro anual...:(
    Beijinhos para ti e D!

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    1. Rute,
      Thanks!!
      Olha que ele já se vira (começou o desassossego!) Daqui a uns meses já vai correr contigo :)
      Beijinhos

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  7. Concordo com tudo o que disseste, também considero os avós uma peça fundamental, mas na minha opinião a creche, por muito que doa no início, é a melhor opção. Ontem deixei o Gui pela 1ª vez, mas apenas por 2h, hoje fica novamente 2h. Quando o fomos buscar ele estava a dormir, acordou com um enorme sorriso que compensa tudo :D! Sei o que é sentir esse cansaço e parecer que nada fica feito, simplesmente deixa de nos apetecer desperdiçar tempo com outras coisas...e o Gui continua a ter noites horríveis de acordar umas 10 vezes! (esta noite dormiu das 23h as 8h da manha e eu ainda estou a pensar que foi um milagre). Nunca pensei que custasse tanto, antes via as mães chorosas com as creches e a escola e pensava que não era assim caso para tanto, que os miudos estavam bem entregues e que fazia parte da vida...ui ui, falava mesmo sem saber! O nosso coração fica apertado, o meu estava assim desde agosto porque sabia que se aproximava a data! adoro a escola que escolhemos para ele, as auxiliares e a educadora são muito doces e prestáveis, fico descansada mas por outro lado penso nele, o meu coração tolo imagina que ele está triste, a relembrar os dias fantásticos com a atenção dos pais só para ele, nos nossos dias a dois, nas nossas rotinas...enfim! Mas uma coisa é verdade, soube bem regressar ao trabalho e ter a minha cabeça ocupada com outros assuntos, e a sensação de regressar a casa tem outro sabor :)! é uma nova fase...daqui a uns tempos estamos no ritmo, assim espero!

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    1. O teu Gui é um safadeco :) então continua em obras à noite?
      O Diego está a piorar (porque já dá a volta, enfia os pés na grades mesmo com protecção e está sempre a destapar-se, mas mesmo assim, dorme das 21h30/22h00 às 4h00. Leitinho. Volta a dormir e acorda às 7h00.
      Boa sorte para vocês e para nós! Beijinhos

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  8. Olá Luciana! Seguia o teu outro blogue, mas depois pensei que tinha mesmo acabado e fiquei com pena, porque lia-o sempre. No outro dia, através do blogue da Filipa do Estranha Lucidez, descobri-o e fiquei toda contente! Parabéns em primeiro lugar pelo teu filhote e os meus sentimentos pela tua avó. Custa sempre muito.
    Queria também dizer-te, que estou na luta para perder peso há muito tempo. Desde os meus 20 e tal anos e tenho altos e baixos e como sei que tu passaste pelo mesma situação, estou a reler o teu blogue desde o princípio e acredita, tem-me encorajado muito!
    Beijinhos e tudo de bom e obrigada!
    :)

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  9. Good Luck! Conflitos interiores perfeitamente normais. O que eu me ri!
    Bjs grandes

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